Rezar pela Paz





Homens e mulheres de boa vontade, 
que acreditam no poder e na universalidade da oração, 
e que sonham com um mundo mais justo e pacífico, 


A todos os que buscam a paz neste mês de setembro 2017
Intenção de Oração : A paz na Colômbia
    
Será na Colômbia a próxima visita apostólica do Papa francisco, de 6 a 10 de setembro. Vem trazer seu apoio em relação ao processo de paz que recentemente teve fim após cinquenta anos de uma guerra civil que custou milhares de vidas. A Igreja católica desempenhou um importante papel nesse processo e, dessa forma, é uma instância apreciada pela maioria da população.

De 1964 a 2016, uma guerra civil, com efeito, opôs o governo colombiano à guerrilha marxista das Forças Armadas Revolucionárias colmbianas – FARC. Também o acordo assinado com as FARC no último dia 25 de novembro, vira uma página na história colombiana. Permitindo aos guerrilheiros de se integrarem na vida política do país, a Colômbia se inscreve nos processos iniciados por outros países como a Irlanda do Norte, onde o IRA renunciou à luta armada e onde seus membros encontraram espaço na vida política local.

A Igreja católica desempenhou um importante e reconhecido papel nesse processo de paz que é, de alguma forma, a « diplomacia da misericórdia » querida ao papa Francisco. Mocoa, cidade amazônica, foi atingida por uma avalanche no último 31 de março ; ora, no dia 6 de abril, em visita nessa cidade, o representante do papa saudou os esforços conjuntos do Estado e da ex-guerrilha das FARC em assistência às vítimas, estimando que sua reação coordenada nesse evento trágico foi um sinal de encorajamento da boa vontade das duas partes para uma saída concreta e definitiva do conflito.

Mas, apesar desses avanços políticos, a violência continua frequente, principalmente em relação aos defensores dos Direitos Humanos, sindicalistas, jornalistas e sobre membros da Igreja. Se o conflito com as FARC pode ser considerado como sanado, uma outra guerrilha vinda da extrema esquerda, a Armada de libertação Nacional, ainda não foi sanada. É para uma população ainda traumatizada pela violência e fragilizada por tantos anos de lutas, que o papa vem trazer consolação e esperança. Nós podemos acompanhar sua iniciativa por meio de nossas orações.

Rezemos : Senhor Deus da Paz, Isaías, teu profeta, anunciou que um dia « as espadas serão transformadas em enxadas e as lanças em foices » (Is 2;4). Nós te suplicamos , pois, de não se demorar no cumprimento dessas palavras. Faça com que a visita do papa franciscona colômbia consolide a paz nascente ; que tua misericórdia possa se exprimir, e que venha para todos uma paz justa e durável. Amém.



A todos que buscam a paz neste mês de agosto 2017
Intenção de oração: a formação para a paz entre os jovens do Burundi.


O Burundi é um pequeno país da África Central, minado por conflitos étnicose políticos desde sua ascenção à independência em 1962. O REJA (Rede de Jovensem Ação pela paz) nasceu em 2001, em plena crise, para reconciliar os jovens e criar uma vasta rede que seria mais eficaz. Hoje, o REJA conta com 164 associações. A missão é a de estabelecer um mundo no respeito e bem-estar de cada um. Esta promoção da paz é, sobretudo, confiadaaos jovens que representam 0% da população. Os jovens aprendem a gerir conflitos a partir da meditação e do debate. Aderindo a esta rede, eles se engajam a:
  • ter um espírito patriótico;
  • estar consciente de seu papel na consolidação da paz resistindo aos diversos tipos de manipulação;
  • adotar comportamentos responsáveis;
  • abster-se de aderir aos movimentos de violência;
  • cultivar o valor da verdade.


Uma campanha de mobilisação de jovens para a cultura de paz no Burundi foi lançada, propondo-se a promover uma cultura de paz no seio da juventude para que ela invista no lento e trabalhoso processo de consolidação da paz.


Os membros da representação local da UNESCO organizam a campanha em conjunto com a REJA. Essa campanha, sob a égide do PaynCop (rede panafricana de jovens pela cultura da paz) se inscreve no prolongamento de uma outra campanhalançada no Gabão em julho de 2016 e na Angola em dezembro de 2016.
Entre as atividades realizadas, destacam-se: a produção e difusão de material publicitário, participação  em programas de rádio, criação de uma canção sobre a cultura de paz. Em consequencia, algumas mídias sensibilizarão os jovens a valorizar a tolerância e a aceitação mútua em suas diferenças. Os talentos dos jovens artistas e atletas burundeses serão também requisitados e colocados ao serviço da promoção da cultura de paz.


Rezemos: Senhor, permita que, a exemplo dos jovens burundeses, nós nos tornemos artesãos da paz e que formemos as jovens gerações a se tornarem também artesãos da paz. Que todos, com o sustento da oração de Nossa Senhora, rainha da Paz, construamos um mundo mais fraterno. Amém.



A vocês que buscam a paz neste mês de julho 2017

Intenção de oração: os povos indígenas no Brasil  


Nomeado no dia 31 de agosto para assumir o lugar de Dilma Roussef, o novo presidente do Brasil, Michel Temer, inscreve o retorno de um conservadorismo econômico e político. Razão para se colocar novamente em questão os direitos adquiridos, especialmente os direitos dos pequenos agricultores e povos indígenas . O anúncio, em maio, do fim da Secretaria Especial de Agricultura Familiar provoca inquietação; Com efeito, 70% dos alimentos consumidos pelos brasileiros provêm da agricultura familiar.

Os povos indígenas estão entre os grandes perdedores desta nova orientação econômica. Cortes drásticos foram feitos no orçamento da FUNAI (Fundação Nacional do Índio), de forma que a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) diminuiu o orçamento que havia sido destinado. Contra os trabalhadores sem terra e contra os povos indígenas que tentaram se opor a essa política fazendo valer os seus direitos, a FPA sugeriu ao presidente Temer enviar a Polícia Federal para fazer a « mediação » nas áreas « invadidas » ! Motivo para reforçar o sentimento expresso pela opinião pública brasileira de que o gigante sulamericano vive um retrocesso de mais de trinta anos. Apesar de reconhecidos e protegidos pela Constituição de 1988, os povos indígenas estão, cada vez mais, ameaçados pela exploração de matéria-prima. O Programa de Aceleração do Crescimento, destinado a desenvolver a infraestrutura relacionada à energia e transporte, foi concebido para melhor explorar as riquezas naturais do Brasil. Os povos indígenas que vivem na Amazônia, região rica em matéria-prima, querem preservar suas terras, a única riqueza da qual eles podem  usufruir. Mas a violência não para de aumentar: o desmatamento sem limites, a criação de complexas hidrelétricas, e a exploração do petróleo ameaçam diretamente as populações indígenas. Privados de suas terras, eles não podem mais cultivar a mandioca, o arroz e o feijão que são os produtos de base de sua alimentação, nem continuar a criação de porcos e galinhas ou dedicar-se à pesca de março a setembro. Monsenhor Roque Paloschi (1), arcebispo de Porto Velho (Amazônia) desde outubro 2015, declarou ao CCFD (Comitê Católico contra a Fome e pelo Desenvolvimento) que « existem no Brasil grupos radicais, muito influentes na Câmara dos Deputados que, alimentados pelo oportunismo do agronegócio e do capital internacional, destroem tudo, a começar pelo que há de mais sagrado que é a vida dos povos do planeta ».

Rezemos : Pela Igreja no Brasil, seus pastores e todos os seus missionários. Que ela esteja presente ao lado das populações que sofrem, impedidas de viver dignamente.
Que ela possa, sem entraves, assumir a missão que Tu, Senhor, lhe confiaste.
Que ela seja testemunho de tua ternura e tua misericórdia em vista dos mais fracos.


Dom Roque Paloschi, originário do Sul do Brasil, grande amigo do Irmão Irineu, teve a oportunidade de lhe visitar em Tournay, durante uma visita que fazia a Roma. Sua vinda foi um grande consolo para o nosso irmão que já estava tão abatido pela doença.




A todos os que buscam a paz neste mês de junho 2017
Intenção de oração: a  AIS - Ajuda à  Igreja que Sofre[1]


O ano 2017 celebra diversos jubileus: 500 anos da Reforma, 300 anos da fundação francomaçônica, 100 anos da revolução bolchevique na Russia e os 100 anos da aparição da Virgem em Fátima. Atenhamo-nos nos 70 anos da fundação da AIS - Ajuda à Igreja que sofre.
            Fundada em 1947 pelo padre Werenfried, inicialmente para ajudar os cristãos da Alemanha do Leste obrigados pelo regime comunista a viver isolados e vítimas de numerosas formas de discriminação. Progressivamente, praticando um método chamado "a revelação do Amor", a AIS se difundiu por outros países, respondendo aos apelos dos papas sucessivos, principalmente os países mais expostos às perseguições e aos sofrimentos múltiplos, estabelecendo-se em 150 países.
Essa "revolução do Amor" se enraíza na meditação do mistério da cruz de Cristo e de seu coração transpassado. Em 70 anos de uma história rica e multiforme, podem-se ser citados milhares de fatos que se mostraram uma verdadeira fonte de esperança. Não ha outra explicação senão a que nos é revelada por meio da leitura desta passagem do Evangelho segundo João: "Deus enciou seu Filho ao mundo, não para julgar o mundo, mas para que, por meio dele, o mundo seja salvo" (Jo 3,17). Se grande parte do mundo ocidental não conheceu a guerra desde 1945, não é exato afirmar, consequentemente, que a guerra não existe. Os numerosos atentados perpetrados na Europa dizem aos diversos responsáveis políticos que "nós estamos em guerra". O próprio Papa Francisco não hesitou em dizer diversas vezes sobre uma "guerra fragmentada". Durante sua recente ida a Fátima, o papa quis reafirmar nossa esperança na realização da promessa da Virgem Maria aos três pastorzinhos: "No fim seu coração imaculado triunfará". Neste ano do jubileu de Fátima, podemos nós esperar nos aproximar deste triunfo do amor? Certamente! A não ser que nós nos desanimemos de trabalhar e de rezar pela paz.
Confortada por esta esperança e enquanto obra pontifical, a AIS se comprometeu de se engajar de maeira ainda mais generosa, neste ano de 2017. Trata-se de um engajamento de amor, mais que um dever de caridade. Um engajamento de todos que implica em se colocar a serviço dos pobres e fazer progredir a caridade celebrada no sacrifício eucarístico.

                        A cada ano, a AIS coleta recursos financeiros par sutentar a Igreja no mundo. Milhares de igrejas e capelas foram construídas ou reconstuídas. Ela sustenta financeiramente a formação de seminaristas de países pobres. Difunde a Bíblia. Milhares de padres podem viver decentemente graças às ofertas de missas transferidas pela AIS. Centenas de programas e=de rádio e televisão foram financiados para encorajar cristãos isolados. Milhares de veículos foram comprados para propagar o Evangelho. O Informativo da AIS nº 182 apresenta todos esses detalhes sobre essas ações em busca de se fazer próximo dos cristãos em situação difícil, quaisquer que sejam as razões.

           
            No último 25 de maio, na saída de seu encontro no Vaticano, o papa Francisco ofereceu ao presidente Donald Trump um medalhão de bronze representando uma oliveira unindo dois pedaços de terra, e explicou: "o rompimento simboliza a divisão pela guerra, e a oliveira, meu desejo de paz". "Nós temos necessidade de paz", respondeu D. Trump.

Oremos:
Senhor, neste ano do jubileu de Nossa Senhora de Fátima que a AIS escolheu como padroeira, venha o Teu Espírito Santo, Espírito de paz, Espírito de comunhão, iluminar todas as comunidades cristãs. Encoraja a todos os teus discípulos para que eles ajam juntos em favor da paz, tal como Maria pediu em Fátima, empunhando a chama da oração. Amém.





[1] No Brasil, além da sigla "AIS", usa-se também a sigla em inglês "ACN": "Aid to the Church in Need", visando à unificação da sigla pelos diversos países onde a fundação atua.


A totos vocês que buscam a paz neste mês de Maio 2017
Intenção de oração : denunciar a hipocrisia do comércio de armas


O último tratado internacional sobre o comércio de armas entrou em vigor em dezembro de 2014. Esse acordo prevê que as transações de venda de armamentos sejammelhor controladas para evitar desvios. Estipula que os países que vendem armamento devem observar como serão utilizadas as armas vendidas par que o seu uso não seja contrário aos direitos humanos. Pelo fato de serem as principais vítimas, os países do Sul são os que mais esperam por medidas mais rigorosas acerca do comércio de armas.

Quais esforços consentem as potências ocidentais que, para alguns, é o caso da França, se orgulham de ter agido fortemente pela adoção do tratado ?
Em um relatório tornado público em dezembro de 2015, ilustres juristas mandatados pela Anestia Internacional colocaram em evidência que os governantes britânicos e franceses infringem os artigos do tratado vendendo armas Para a Arábia Saudita, sendo essas armas suscetíveis de serem utilizadas no Yêmen onde a guerra saudita continua a fazer o caos humanitário.

A China e outros Estados não siganatários do tratado protestam sobre a flexibilidade reprovando aos ocidentais que se erigem em professores de moral apesar de se enriquecerem no negócio de armas.

O desafio de uma tal regulamentação é considerável pois as armas desviadas acabam, regularmente, nas mãos de bandos armados e de organizações terroristas. Em um recente relatório de junho 2016, a Anestia Internacional comprovou também que o Estado Islâmico constituiu o essencial de seu arsenal aproveitando-se da « proliferação incontrolada de armas no Iraque e do controle pouco rigoroso de transferência de armas com destino à Síria e ao Iraque ». O Estado Islâmico tem grande parte de seu armamento proveniente de diversos países ocidentais.

Todos os países devem realizar uma avaliação muito mais aprofundada acerca dos riscos institucionais quando almejam exportar armas no sentido de evitar que estas caiam em mãos erradas, em particular regulamentando as atividades de corretagem, uma vez que 85% dos desvios começam por meio de um contrato de corretagem. Os interesses comerciais e sociais en matéria de emprego dos Estados que produzem armas desenvolvem um papel importante na venda de armas donde as reticências a se imporem em vista de medidas de uma regulamentação eficaz.


Rezemos : Senhor, nós te pedimos, envia teu Espírito santo sobre os governantes dos países que vendem armas para que sejam vigilantes a fim de que elas não sejam desviadas e que inocentes não sejam as vítimas desse comércio mortífero. Amém.

A todos vocês que buscam a paz neste mês de abril 2017
Intenção de oração : Os Meios de Comunicação Social, atores de paz ou vetores de guerra ?


O poder dos meios de comunicação social (MCS) tornou-se, incontestavelmente, um « quarto poder » nos últimos anos. Esse « poder » não se faz sem colocar múltiplas questões. Recentemente a Igreja na França não foi insistentemente atacada por um canal de televisão acerca da pedofilia : onde está a verdade ?
No Domingo de Páscoa, a terra inteira ouvirá novamente a única boa notícia que se deve anunciar ao mundo : O Cristo ressuscitou, ele verdadeiramente ressuscitou ! Se essa boa notícia pudesse ser anunciada pelos MCS, sem nenhum limite ou restrição, de um lado a outro do mundo, em todas as línguas e culturas !

Todo cidadão tem o direito de ser informado e o dever moral de se informar. A finalidade da informação é, pela descrição, narrar os fatos e, pela explicação, dar sentido ao evento prevenindo consequencias possíveis imediatas ou futuras. A maneira de apresentar um fato pode promover a paz ou difundir a confusão. Uma das consequencias da má informação é, seguramente, a desorientação das consciências e dos comportamentos.

.
Pode-se falar da neutralidade dos MCS? Em tempos de guerra, ou mesmo de conflito de qualquer natureza, a informação se revela como uma poderosa arma, seja para a paz, seja para a guerra. Numerosos são os exemplos recentes onde o anúncio, por exemplo, de um massacre, pode, imediatamente servir de pretexto à vingança e a seus efeitos devastadores.
 A informação perde seu sentido e torna-se manipulável quando políticos para convencer seu eleitorado e a mídia para aumentar sua audiência vão, progressivamente, e insidiosamente, marginalizando ou ignorando os vetores de circulação de informação. Aqui, jornalistas são verdadeiros mediadores e dispõem, quase automaticamente, de um verdadeiro poder para que o conflito seja agravado ou, ao contrário, resolvido.

Numerosos são os MCS que buscam, através de múltiplos instrumentos, tal como a música, o teatro, os gibis e revistas, influenciar sobre o comportamento e as percepções convidando a privilegiar a resolução pacífica de conflitos. A busca pela paz se nutre de paciência e, às vezes, de discreção, enquanto que os meios de comunicação sociais, obedecem ao imediatismo, com todas as simplificações abusivas possíveis. A necessária seleção de informações só dá acesso a uma parte da realidade, privando aqueles que a recebem de elementos necessários a formar seu julgamento e sua consciência antes de agir. O problema é grave.


Rezemos : Seja louvado, Senhor por seus apóstolos, primeiros jornalistas da Boa Notícia da salvação. Nós te confiamos todos os atores dos Meios de comunicação : que eles tenham a preocupação pela verdade e pela coerência para que todos descubram o sentido dos eventos que sobrevêem. Que, por tua graça, todo homem de boa vontade torne-se mensageiro da Boa Nova que Teu Filho ressuscitado anunciou na tarde da Páscoa : A Paz esteja com vocês !


A vocês que buscam a paz neste mês de Março 2017
intenção: As organizações não governamentais (ONGs)promotoras da paz

As ONGs desempenham hoje papel fundamental na resolução de conflitos e crises. No passado, as instituições ditas "de caridade", tais como as confrarias, ou, mais recentemente, uma associação internacional como a Cruz Vermelha, sempre estiveram associadas à idéia de preservar a paz, paz civil, paz social. Hoje, elas se distinguem das instituições políticas e religiosas, voltadas à longevidade e perenidade; as instituições de caridade devem, de forma ideal, ser temporárias, como paliativo diante das imperfeições momentâneas dos sistemas políticos e sociais estabelicidos.

É preciso também salientar que a missão inicial de assistência neutra das ONGs pode ser prejudicada por ações politicamente marcadas. As ações de desenvolvimento que elas coordenam são, constantemente, impregnadas pelos valores, cultura, interesses do país em questão. Há também o risco de elas serem utilizadas como instrumento político externo; tanto que o presidente russo Vladimir Putin estabeleceu um projeto de lei que confia ao serviço secreto a vigilância sobre as organizações estrangeiras. É verdade que diversas ONGs cumpriram um papel evidente na libertação das Repúblicas da ex-União Soviética; o que é verdade com relação à Ucrânia e à Geórgia, por exemplo, o que deixa uma má recordação para o poder atual no Kremlin. Ao longo dos últimos anos, certos Estados, ao exemplo da Rússia, exercem pressões e ameaças sobre as ONGs presentes em seu território, buscando, assim, que elas caiam em descrédito. A multiplicação do controle e das dificuldades administrativas é o sinal mais evidente de tais atitudes. As ONGs são, por vezes, testemunhas indesejáveis, como na República Democrática do Congo; suas iniciativas incomodam, como na Ruanda e no Burundi. Essas organizações não governamentais, salvo raras excessões, se inscrevem na categoria de instituições que buscam promover um estado de paz durável. 


Por fim, há que se acreditar que, se os ataques e pressões perdurarem, certas ONGs podem decidir suspender suas atividades em certos países onde sua presença é indispensável para a população. O exemplo recente da Síria o demonstrou após os bombardeios de lugares de refúgio, como os hospitais da Cruz Vermelha ou dos Médicos sem Fronteiras.


Rezemos: Senhor, permita às Organizações não governamentais assegurar sua missão; que elas possam continuar a preservar a paz; e envia teu Espírito Santo para que ilumine as mentes e os corações dos dirigentes, afim de que eles sustentem as Organizações ao invés de lhes dificultar suas ações. Por Jesus, teu Filho, nosso Senhor. Amém.
 


 A vocês que buscam a paz neste mês de dezembro de 2016
Intenção : Encontrar a paz nas pequenas coisas do cotidiano





Sim, como é bom, como é suave os irmãos viverem juntos e estarem unidos (Sl 132,1). Viver juntos ? O salmista não exalta o cohabitar humano. Sabemos o quanto existe de irmãos que se desentendem exatamente por morar juntos, sob um mesmo teto ; e que « a casa onde se cohabita é a mesma onde se encontra inimigos » (comentário de Santo Hilário de Poitiers)


A paz é um dom de Deus que nasce nos pequenos lugares: num coração, num sonho, numa palavra, num sorriso... A paz é um dom artesanal que nós devemos cultivar e fazer dela um caminho em nossa vida ; fazê-la entre nós, para fazê-la entrar no mundo. « Tu podes falar de paz com palavras explêndidas, por meio de grandes conferências... Mas se, em tua pequenez, no teu cotidiano não há paz, se no teu trabalho não há paz, no mundo tampouco haverá » (homilia do Papa Francisco em Santa Marta, no dia 08/09/2016).


Hoje, em meio à guerra e à violência que continuam a semear o terror em tantos corações humanos, como, lá onde nós vivemos, nos abrir para a paz ? O Papa Francisco nos convida a nos colocarmos esta questão : « como está o teu coração hoje ? Está em paz ? Se ele não está em paz, antes de falar de paz, ponha-o em paz ». Se você não é capaz de fazer avançar na paz a sua família, a sua comunidade, o seu presbitério, como fazê-la avançar no mundo? Palavras de paz não são suficientes. Comecemos por criar um clima de paz em nós e em torno de nós, em vista da paz no mundo ». (homilia de 08/09)


As palavras de Santa Teresa do Menino Jesus não perderam nada de sua atualidade : « Inspiradas e levadas pelo amor, as pequenas coisas adquirem um grande valor ; Jesus não olha tanto a grandeza das ações, nem mesmo a sua dificuldade, mas o amor que está por detrás dessas ações ».


Ao final do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, fomos todos exortados a : « construir um futuro sobre esta terra trabalhando na evangelização do momento presente para fazer agora um tempo de salvação para todos ».


Juntemos nossas preces às preces do Papa Francisco :
« Pedir a Deus a sabedoria para fazermos a paz a cada dia, pois são nesses pequenos gestos cotidianos que nasce a possibilidade da paz em escala mundial ». Que a paz nasça no coração de cada um de nós para construir um mundo de amor e de paz.

Vem, Senhor Jesus, o Príncipe da Paz !



                                                                                                                         

                                                                                                                               


A todos os que buscam a paz neste mês de setembro 2016
Intenção de oração: dizer não ao terrorismo!

 
No dia 9 de junho de 2016 dois palestinos semearam o terror em Tel-Aviv, fazendo 4 mortos; no dia 4 de julho de 2016 houve um atentado suicida em Bagdá resultando em 300 mortos; no dia 14 de julho de 2016, uma carnificina causada por um caminhão em Nice provocando 84 mortes; dia 27 de julho, o padre Jacques Hamel foi degolado no momneto em que celebrava a missa na pequena igreja de Santo Estêvão de Rouvray. Esses dramas recentes, inclusive vitimando padres e religiosas, fazem parte de uma longa lista que, infelizmente, não para de crescer. 

Não se coloca um fim à violência respondendo com violência; ao contrário, legitima-se. É preciso que se busquem outras alternativas de resistência. Em um contexto internacional cada vez mais tenso e violento, é urgente que se tire tempo para refletir e colocar em prática alternativas não violentas.

A mídia tem uma parte de responsabilidade pois, ao mostrar insistentemente informações relatando crimes de guerra, as consciências se acostumam à sua dose cotidiana de violência midiática. As decaptações e cruscifixões realizadas pelo grupo extremista Estado Islâmico são difundidas pelas redes sociais. O risco é de nos colocarmos imediatamente numa atitude de reação, basta um contexto de medo e ansiedade para que uma cultura de guerra se exprima intensamente, já que a violência não é somente um fenômeno exterior, mas interior em nós mesmos. Por outro lado, se apenas 20% dos recursos financeiros utilizados para fazerem a guerra fossem dirigidas para esforços de verdadeiras negociações de paz, soluções pacíficas poderiam ser realizadas. Nossos governantes deveriam refletir sobre os meios eficientes de desarmar todos esses grupos criminosos: meios econômicos, políticos e culturais.

Para por um fim à espiral da violência, não se pode nem legitimá-la, nem banalisá-la. A não-violência é uma luta, um engajamento em uma resis tência voluntária; ela não é a negação de conflitos, nem de combates, nem mesmo de massacres e atentados, mas em uma incansável busca pela paz ela propõe soluções não agressivas.

  
Senhor, pela graça de teu Espírito  Santo, faça que todas as pessoas em luto ou atingidas pelos atentados não tenham o desejo de vingança, afim de não reforçar a espiral da violência. Diante de toda situação de violência, façamos nossa a prece do Padre Christian de Chergé: "Senhor, desarmai-os! Senhor, desarmai-me!". E faça com que o projeto terrorista de provocar uma guerra de religiões não se concretize, mas seja ocasião para que cristãos e mussulmanos se unam e se tornem "parceiros pela paz" partilhando sua fé em um mesmo Deus e reconhecendo a solidariedade intelectual e moral da humanidade. Amém.






Para todos os que buscam a paz, neste mês de fevereiro 2016

Vencer a indiferença e conquistar a paz

Em sua mensagem de 01 de janeiro de 2016, Dia Mundial de Oração pela Paz, o papa Francisco exortou os discípulos do Cristo a vencer a indiferença para ganhar a paz. Deus não é indiferente! Deus dá importância à humanidade, Deus não a abandona! Cada um de nós, comprometido firmementre e com confiança não deve perder a esperança de ver progredir a justiça e a paz nesse ano novo. A paz é dom de Deus, dom confiado a todos e a cada um. Retomar alguns elementos desse belo texto nos introduz na Quaresma!
Depois dos dolorosos acontecimentos que marcaram o ano de 2015, saibamos manter a esperança na capacidade do ser humano de, com a graça de Deus, vencer o mal e não se render à resignação e à indiferença.
Sob que formas pode se apresentar a indiferença?
O indiferente fecha o seu coração por não levar o outro em consideração.
Fecha seus olhos para não ver o que está ao redor de si ou se esquiva para não ser tocado pelos problemas dos outros.
Em nossos dias, constatamos o fenômeno da "globalização da indiferença".
* A primeira forma de indiferença na sociedade humana é a indiferença para com Deus, da qual procede a indiferença para com o próximo e com a criação.
* O aumento das informações que é próprio de nossa época não acarreta por si mesmo uma maior tenção aos problemas, se não há abertura das consciências em um sentido de solidariedade.
* A indiferença se manifesta ainda como uma falta de atenção em relação à realidade que nos envolve, principalmente a que estiver mais longínqua.
* A indiferença, enfim, se expressa em relação ao ambiente natural: desmatamento, poluição, catástrofes naturais que desenraizam comunidades inteiras do seu ambiente de vida, forçando-as a viver na precariedade e na insegurança, ou obrigando-as a migrar, criando novas situações de pobreza, de injustiça com consequências muitas vezes nocivas em termos de segurança e paz social.
A paz pode ser ameaçada pela indiferença globalizada!

A indiferença para com Deus ultrapassa a esfera íntima e espiritual do indivíduo e alcança a esfera pública e social. A indiferença em relação ao próximo pode levar a conflitos, ou, em todo caso, gerar um clima de insatisfação que arrisca de explodir cedo ou tarde em violências e inseguranças. Muitas vezes, de fato, os projetos econômicos e políticos dos homens têm por fim a conquista ou a manutenção do poder e das riquezas, sem levar em conta os direitos e as exigências fundamentais dos outros. Quando as populações veem negados direitos básicos como o alimento, a água, a assistência médica ou o trabalho, são tentadas a procurar conquistá-las pela força. A paz está, então, comprometida.


Em 10 de fevereiro, toda a Igreja entrará no tempo da Quaresma. Saibamos combater nossa indiferença a fim de abrir o coração à misericórdia que é o coração de Deus. Lá onde a Igreja está presente, a misericórdia do Pai deve ser manifestada.
Oremos para que o Espírito de Deus ponha no coração de cada um a compaixão para "transmitir uma cultura de solidariedade e de misericórdia para vencer a indiferença. "
"O jejum que me agrada, por acaso, não é fazer cair as correntes injustas, soltar os laços que aprisionam, pôr em liberdade os oprimidos, quebrar todos os jugos? Reparta teu pão com quem tem fome, acolhe em tua casa os pobres sem-teto, veste a quem vês sem roupa e não vires as costas ao teu semelhante."(Isaías 58, 6-7 / leitura da Missa de 12 de fevereiro, sexta-feira depois de Cinzas)












Para todos os que buscam a paz

Janeiro 2016: Orar pela paz com nossos irmãos judeus

Sem dúvida, José, o justo, Maria, cheia de graça e Jesus nascido em Belém da Judéia, são judeus. Eles pertencem ao povo de Israel, o povo escolhido ao qual foi confiada a promessa em uma Aliança firmada com Abraão e constantemente retomada na história de Israel. Paulo afirma na carta aos romanos que os dons de Deus e o seu chamado são irrevogáveis. (Rom 11, 29)

Os vinte séculos de cristianismo desde o "acontecimento Jesus" foram marcados por muita incompreensão, ignorância e também discriminação na relação da Igreja Católica com o judaísmo. No dia 10 de dezembro passado, para marcar o 50º aniversário da declaração conciliar Nostra Aetate, a Comissão Pontifícia para as Relações Religiosas com o Judaísmo publicou  um documento de fundamental importância. Ele insistia principalmente na luta contra o antissemitismo que é  fator de violência. Ao invocar as raízes judaicas do cristianismo, o documento lembra que "as duas tradições de fé são chamadas a exercer juntas uma vigilância constante, sendo também atentas às às questões sociais. Em nome dos fortes laços de amizade entre judeus e católicos, a Igreja Católica se sente obrigada a fazer com seus amigos judeus tudo que estiver ao seu alcance para combater as tendências anti-semitas. "

De um ponto de vista teológico, o documento reconhece "uma única história da aliança de Deus com a humanidade. No entanto, Israel é o povo escolhido e amado por Deus. É o povo da aliança, nunca revogada ou anulada". "Para os cristãos, a fé judaica, do modo como a Bíblia testemunha, não é vista como outra religião, mas o fundamento da sua própria fé". A consequência dessas afirmações já tinha sido sublinhada por João Paulo II em 1980: "A primeira dimensão do diálogo (entre judeus e católicos), ou seja, o encontro entre o Povo de Deus do Primeiro Testamento, nunca revogado por Deus, e o povo do Novo Testamento é, ao mesmo tempo, um diálogo interno em nossa Igreja, por assim dizer, entre a primeira e a segunda parte da Bíblia". 
O rabino David Rosen avaliou as posições explicitadas neste novo documento como significando uma "mudança revolucionária no modo católico de abordar os judeus e o Judaísmo”. "A colocação na prática dessas palavras significa que “os cristãos podem aprender muito com a exegese judaica, praticada há 2.000 anos". 
Do ponto de vista ético, o documento indica "o compromisso pela justiça e pela paz no mundo, pela preservação da criação e pela reconciliação. Inclui a Paz na Terra Santa que ainda não se realizou e pela qual oramos constantemente –Esse compromisso desempenha um papel essencial no diálogo entre judeus e cristãos. "Nesse mesmo sentido, o texto de 2.015 lembra ainda as palavras de João Paulo II, em Mainz em 1980: "Judeus e cristãos, uns e outros, filhos de Abraão, são chamados a ser uma bênção para o mundo, na medida em que  eles se comprometem juntos pela paz e pela justiça para toda a humanidade. Eles são isso onde eles cumprem isso em plenitude e em profundidade, como o próprio Deus pensou para nós, e com a disponibilidade para os sacrifícios que esse nobre projeto pode exigir". 

(para ter acesso ao texto completo da declaração: www.paxchristi.cef.fr)

Oração de São Paulo, quando ele faz memória do seu povo (Rm 11, 33-36):

Ó profundidade da riqueza, da sabedoria e do conhecimento de Deus!
Insondáveis ​​são os seus juízos e impenetráveis seus pontos de vista!
Quem conheceu o pensamento do Senhor?
Porque tudo é dele, por ele e para ele.
A ele seja a glória para sempre! A M É M.


Para lhes dar nossos melhores votos para o ano novo, a equipe de redação retoma as palavras do papa Francisco em sua mensagem para o 1o de janeiro de 2016, Dia Mundial de Oração pela Paz:
Confio essas reflexões, assim como os meus melhores votos para o Ano Novo à intercessão de Maria Santíssima, Mãe atenta às necessidades da humanidade, a fim de que ela obtenha do seu Filho Jesus, Príncipe da Paz, que ele escute nossas súplicas e abençoe o nosso compromisso cotidiano por um mundo fraterno e solidário (Papa Francisco).




DEZEMBRO 2015 REZAR PELA TERRA


Depois dos acontecimentos que trouxeram luto à França, no mês passado, a interpelação ressoa ainda com mais força: como fazer a paz acontecer entre os povos? 
Pouco antes da festa de Todos os Santos, em Castel Gandolfo, reuniu-se a Assembleia Europeia das Religiões pela Paz com a participação de judeus, cristãos e muçulmanos. Seu tema foi "acolher uns aos outros: passar do medo à confiança." 
Em uma mensagem de boas-vindas, o Cardeal Tauran lembrou que "a verdadeira missão da religião é a paz, porque a religião e a paz caminham juntas." Sim, como podemos transformar o medo em confiança, a discriminação em respeito, a inimizade em amizade? Como passar de uma cultura do descartável para uma cultura solidária e como transformar o confronto em diálogo? Essas são questões que devemos carregar conosco em nossa oração.
O evento COP21 "21a Conferência das partes que assinaram a Convenção do Clima das Nações Unidas" se reveste de uma importância crucial para o nosso futuro comum. Entre as quatro questões sublinhadas pela Comissão Justiça e Paz, como aquilo que está em jogo, a questão prática, o desempenho de responsabilidades, o desafio da solidariedade, sem deixar de lado essas questões prévias, prestemos atenção ao quarto item que está em jogo: a dimensão espiritual e que nos compromete na oração.
O quarto ponto é de ordem espiritual e moral porque a  crise climática decorre desse desafio (o espiritual). “Nós não herdamos a terra de nossos antepassados. Nós a pedimos de empréstimo a nossos filhos”, diz um provérbio africano, citado por Antoine de Saint-Exupéry no livro “Terra dos Homens” (1939). Nesse sentido, a voz das autoridades religiosas é considerada como um aliado importante para o êxito dessa Conferência sobre o clima. 
Não é por acaso que esse esse encontro se realiza na França, país que reivindica a laicidade e que ele seja preparado com a contribuição das vozes de tantas religiões e espiritualidades. Essas vozes trazem o senso de um bem-comum para a humanidade. "(Carta da Comissão Justiça e Paz, n ° 206, outubro 2015 / http://www.justice-paix.cef.fr)
O sucesso ou o fracasso da COP21 vai ter um impacto direto sobre a realização ou o recuo da paz entre os povos. Pensemos, particularmente, no desequilíbrio demográfico provocados pelas migrações climáticas. 
Nesse sentido, é significativo que, no dia 26 de outubro último, em Roma, tenha sido lançado um apelo assinado por Cardeais, Patriarcas e Bispos do mundo todo, representando os cinco continentes. Na continuidade da Encíclica Laudato Sii esses pastores reafirmam que o clima é um bem comum de toda a humanidade e o ambiente é um bem coletivo, sob a responsabilidade de todos. 
Os pobres, primeiras vítimas das mudanças climáticas, devem ser associados ao desenvolvimento sustentável. O apelo de Roma se concretiza em dez apelos concretos que vocês podem encontrar seguindo o link abaixo:
  HYPERLINK "http://zenit.org/fr/articles/cop21-appel-inedit" http://zenit.org/fr/articles/cop21-appel-inedit
Em 1967, o papa Paulo VI já afirmava: "o desenvolvimento é o novo nome da paz. "
Oremos para que cresça a nossa consciência ambiental: ela vai nos conduzir à paz.

Oração pela terra, na conclusão do apelo de Roma:
Deus de amor, ensina-nos a cuidar da nossa casa comum. Inspira nossos governantes na ocasião dessa reunião deles para que:
• escutem o grito da terra e o grito dos pobres
• e se unam com o coração e o espírito para responder com coragem à busca do bem comum e da proteção deste jardim que criaste para nós, para nossos irmãos e irmãs e para as gerações futuras. A M É M. 







MARÇO 2015: PELA PAZ, CONTRA O TERRORISMO! 



A vocês todos que procuram a paz:

Paz !



Os atentados terroristas na França, em janeiro de 2015, nos convidam a rezar com fervor para que o terrorismo acabe. Os fatos são conhecidos: no dia 7 de janeiro dois jihadistas franceses, os irmãos Kouachi, invadiram o jornal Charlie Hebdo, matando onze pessoas, entre eles colaboradores do jornal e policiais, e deixando onze feridos; dia 8 de janeiro, em Montrouge, Amedy Coulibaly, um conhecido dos irmãos Kouachi, matou um policial municipal e machucou mais uma pessoa; dia 9 de janeiro, os irmãos Kouachi se refugiaram numa gráfica em Dammartin-en-Goele, em Paris, que resultou na morte de 17 pessoas, policiais e clientes, assim como a dos três assassinos. Outros atentados e manifestações antissemitas aconteceram na França e em outros lugares, como na Dinamarca. Tudo isso provocou uma grande reação da sociedade e dos governos, como vimos no dia 11 de janeiro, dia de grandes manifestações, reunindo em torno de 4 milhões de pessoas, em várias cidades na França e do mundo.

O terrorismo constitui uma forma muito cruel de violência que despreza totalmente o direito internacional humanitário: ele se manifesta da maneira mais inesperada possível, visto que os alvos não são objetivos militares, como numa guerra declarada, mas os lugares da vida cotidiana. O terrorismo ataca a dignidade humana e constitui uma ofensa a toda humanidade. Ele deve ser totalmente condenado e nada pode justificá-lo. Na sua lógica, os fins justificam os meios, e o homem se torna um simples instrumento. No entanto, a eliminação do terrorismo não é simples e supõe um conjunto de medidas que incluem políticas de segurança, inclusão social e cultural, de cooperação internacional e também de educação para não violência e para a paz. A responsabilidade penal do terrorismo continua pessoal e não pode ser atribuída às religiões, às nações, às etnias às quais pertencem os terroristas. Justificar o terrorismo em nome de Deus constitui uma profanação e uma blasfêmia, pois que pretendem possuir a verdade divina. Às religiões é dada a missão de colaborar para eliminar as causas do terrorismo e para promover a amizade entre os povos (Cf. João Paulo II, Decálogo de Assis pela paz, 1, 24 de fevereiro 2002). Nenhuma religião pode tolerar o terrorismo e muito menos pregá-lo (Cf. João Paulo II, mensagem pelo Dia Mundial da Paz, 2002, 7). Não podemos qualificar como “mártires” aqueles que morrem nos atos terroristas, pois mártir é aquele que morre para não renunciar a Deus, e não aquele que mata em nome de Deus.

Afim de que a não-violência possa prevalecer sobre o terrorismo, rezemos ao senhor:

Senhor, Deus da paz, Tu nos deste, no Monte Sinai, através de Moisés, o mandamento de não matar; no Monte Tabor, através de Jesus, Tu nos ensinaste a não responder ao mal pelo mal, mas pelo bem. Olhai com carinho a humanidade ameaçada pela violência do terrorismo! Consola com teu amor todos os que foram tocados por esses atentados!  Desperte a consciência dos cidadãos para que toda humanidade possa reagir com vigor a essa violência! Inspire os crentes e os dirigentes de todas as religiões a fim de que sejam artesãos da paz e que os radicalismos e os fanatismos religiosos sejam erradicados! E assim, pela força da tua graça, toda terra viverá em paz, e nenhum mal será praticado diante da tua face! Amém! 

Com toda minha amizade,

Ir. Irineu Rezende Guimarães

Monge beneditino da Abadia de Notre-Dame, Tournay, França.

Tournay, 25 de fevereiro de 2015.




DEZEMBRO 2014: NÃO MAIS ESCRAVOS, MAS IRMÃOS



A vocês todos que procuram a paz:

Paz!



 « Não mais escravos, mas irmãos ». Esse é o tema escolhido pelo Papa Francisco para a 48ª Jornada Mundial da Paz que acontecerá no dia 1º de janeiro de 2015, dando continuidade a uma tradição iniciada pelo Bendito Papa Paulo VI, em 1968.

O Papa Francisco se inspirou na Carta que São Paulo escreveu a seu amigo Filomeno pedindo-lhe para receber Onésimo, um escravo fugitivo que se tornou cristão. Paulo pede a Filomeno para receber o escravo « não mais como um escravo, mas muito melhor do que um escravo, como um querido irmão ». Ao evocar este verso bíblico o Papa deseja que nós consideremos a escravidão não como um fato que pertence ao passado, mas como uma verdadeira ferida social bem presente em nosso tempo. Em suas mensagens o Papa insiste no fato de que nossa filiação divina torna todos os seres humanos em irmãos e irmãs, com a mesma dignidade. Ora, a escravidão é um atentado contra essa fraternidade universal e, por consequência, contra a paz. De fato, para que haja a paz, é preciso que o ser humano reconheça no outro um irmão que possui a mesma dignidade.

   Hoje em dia a escravidão acontece de diferentes formas, como por exemplo, o tráfico de seres humanos, a exploração dos imigrantes e da prostituição, o trabalho forçado, a exploração do homem pelo homem, a mentalidade escravagista em relação às mulheres e às crianças. E estas feridas são exploradas vergonhosamente por indivíduos e grupos que se aproveitam dos conflitos, da crise econômica e da corrupção. A escravidão não é somente uma terrível ferida aberta na sociedade contemporânea, mas também uma grave ferida na carne de Cristo! Precisamos, antes de tudo, reconhecer a inviolável dignidade de cada ser humano e reafirmar ao mesmo tempo a fraternidade - o que engloba a exigência de superar a desigualdade, na qual um homem pode escravizar o outro - e promover um engajamento de proximidade e gratuidade para um caminho de libertação e inclusão de todos. Desta maneira poderemos construir uma civilização baseada na dignidade de todos os seres humanos, sem nenhuma discriminação. Isso requer o engajamento do mundo da informação, da educação e da cultura por uma sociedade renovada e fundada sobre a liberdade, a justiça e a paz.

A fim de que esta mensagem do Papa seja acolhida por todos os homens e mulheres de boa vontade, pelos governos e por todas as igrejas e religiões, rezemos ao Senhor:

             Senhor, Deus da Paz, teu filho Jesus Cristo veio para anunciar que nos somos todos filhos e filhas de um mesmo Pai, e, por consequência, irmãos e irmãs uns dos outros. A escravidão de uma pessoa por outra fere profundamente esta fraternidade universal. Assim, nós te suplicamos que nos dê a força moral de denunciar e suprimir todas as formas de escravidão existentes em nosso meio. Desta maneira nós estaremos realizando a verdade do Evangelho anunciada por São Paulo: "Não há escravo nem homem livre, (...), pois somos todos um em Jesus Cristo!" (Ga 3,28). Amém.

Com toda minha amizade,

Dom Irineu Rezende Guimarães

Monge beneditino da Abadia de Notre-Dame, Tournay, França.

Tournay, 13 de novembro de 2014.




OUTUBRO 2014 : PELA PAZ NO IRAQUE



A todos vocês que procuran a paz :

Paz !




Mais uma vez o Iraque chama a atenção da opinião pública internacional em função da sua instabilidade política. Eu vos convido a rezar pela paz nesse país milenar, berço da civilização, que vive agora uma situação dramática.

A estabilização política desse país e a queda do seu ditador, Saddam Hussein, constituiu a principal razão da “Operação Libertação do Iraque”, intervenção armada dos Estados-Unidos e sua coalizão, em 20 de março de 2003. Oito anos e nove meses depois, em 21 de dezembro de 2011, os EUA deixam este país. Essa guerra deixou 250 mil iraquianos mortos, quase cinco mil soldados mortos e mais 36 mil militares feridos. A ausência de uma potencia militar expressiva deixou espaço para ação dos grupos rebeldes sunitas, principalmente o Estado Islâmico do Iraque, que continuam seus ataques contra o governo central e a população xiita. Em 2012 um “Exército Iraquiana Livre” foi fundado, baseado no modelo do exército sírio, combatendo o regime de Bachar el Assad, na Síria. As estimativas são de mais de 15 mil mortos, vítimas dessa guerra civil, e mais de 250 mil pessoas obrigadas a se mudarem, por causa da perseguição religiosa, sobretudo os cristãos e os jihadistas.

Frente às inúmeras e terríveis violações dos direitos do homem, as Nações Unidas são chamadas a assegurar o emprego imediato das unidades militares especiais, vindos do maior número possível de países, unidades que terão a capacidade necessária para parar a purificação étnica e sectária que está ocorrendo, assegurando o retorno seguro dos refugiados para seus lares e levando os responsáveis perante a justiça. Faz-se necessário também tomar medidas para parar a provisão de armas dos responsáveis e sancionar aqueles que continuam lhes fornecendo. Uma resposta imediata será capaz de parar a crise humanitária, e isto antes que ela tome proporções incontroláveis. Isso supõe também medidas de proteção aos membros das comunidades minoritárias perseguidas e, segundo o direito humanitário internacional, lhes garantir um direito de asilo imediato. Esse conjunto de iniciativas permitirá instalar imediatamente as condições de diálogo e de negociações de paz que incluem todos os componentes da sociedade.

Para uma tomada de posição clara e corajosa de toda comunidade internacional, rezemos ao Senhor:

 Senhor, nosso Deus, Deus dos vivos e não Deus dos mortos, olhai com compaixão o país em que nasceu o patriarca Abraão, o Iraque. Cumpra para este povo tuas promessas de paz! Que cessem as violações dos direitos do homem! Que possamos constituir um país democrático e tolerante, de maneira que os cristãos, os muçulmanos e os crentes de todos os credos possam viver juntos, construindo uma cultura de cordialidade e uma civilização da qual eles se orgulhem! Que nenhuma religião justifique as violências e que todas as religiões possam trabalhar juntas em favor da dignidade humana! Amém.

Com toda minha amizade,

Dom Irineu Rezende Guimarães

Monge beneditino da Abadia de Notre-Dame, Tournay, França

Tournay, 20 de agosto 2014.





















AGOSTO 2014 : A PAZ E A REUNIFICAÇÃO DA PENÍNSULA COREANA


A todos vocês que procuram a paz:
Paz!

Eu vos convido a acompanhar com a nossa prece a viagem do Papa Francisco na República da Coréia, do 13 ao 18 de agosto. O Papa Francisco continua sua peregrinação nas regiões em conflito, para testemunhar o Evangelho da Paz.
A divisão da península coreana se fez, no final da guerra da Coréia em 1953, com a criação da Republica Popular Democrática da Coréia no norte, e da República da Coréia no sul. No dia 04 de julho de 1971 as duas partes declararam o seu desejo de reunificação pacifica, sem ingerência estrangeira. No final da guerra fria, em 1991, as duas Coreias entraram conjuntamente nas Nações Unidas, assinando acordos de reconciliação, de não agressão, de trocas e de cooperação.
O desafio da unificação desta região concerne também à consciência cristã. O Conselho Mundial das Igrejas, organismo que reúne mais de 300 igrejas cristãs, celebrou em 2013 na cidade de Busan, na República da Coréia, a sua décima assembleia geral com o tema «Deus da Vida, conduza-nos para a justiça e a paz! », e aprovou uma declaração chamada « A paz e reunificação da península coreana ».  Neste documento encontramos pistas de ação, como por exemplo:
- encorajar o Conselho de segurança das Nações Unidas a tomar iniciativas  tendo em vista a edificação da paz e a levantar sansões impostas à Coreia do Norte ;
- lançar uma campanha universal tendo em vista um tratado de paz que substituirá o Acordo do armistício de 1953, terminando assim com o estado de guerra;
- chamar todas as potencias estrangeiras da região para colocarem um fim em todos os exercícios militares e reduzirem as despesas militares ;
- preocupar-se com a eliminação das armas e das centrais nucleares, tendo em vista o estabelecimento de uma zona sem centrais nucleares, apoiando assim as iniciativas de uma proibição mundial de armas nucleares;
- convidar os dois governos a restaurar a comunidade humana fundada sobre a justiça e a dignidade humana, promovendo um processo durável de troca de comunicação entre as famílias que foram separadas;
- colaborar com os dois governos para promover uma cooperação internacional tendo em vista manter uma zona realmente desmilitarizada, transformado-a numa zona de paz.
Para que estes propósitos se concretizem e para que a viagem do Papa Francisco produza os frutos esperados, rezemos ao Senhor:
Senhor, nosso Deus, tu enviaste Jesus cristo, teu Filho e nosso Senhor, para destruir os muros de separação entre os povos, reunindo um só povo, este que te é agradável e que pratica a justiça e a paz. Por ocasião da visita do Papa Francisco à República da Coréia, nós te suplicamos pela paz e pela reconciliação nesta península: que as despesas com as armas sejam empregadas para ações que promovam a dignidade humana. Amém.

Com toda minha amizade,
Irmão Irineu Rezende Guimarães
Monge beneditino da Abadia de Notre-Dame, Tournay, França.

Tournay, 22 de julho de 2014.

MAIO 2014 : A PAZ PARA A REPUBLICA CENTRO-AFRICANA

A todos vocês que buscam a paz:
Paz!


Este mês eu lhes convido a rezar pela paz na República Centro-Africana. Desde 2003 este país vive um conflito entre duas facções: a que sustenta o ex-presidente François Bozizé, conhecida pelo nome anti-balaka, e a facção que sustenta o antigo presidente, Michel Djotodia, chamada Seleka. Este conflito político e militar é um conflito intercomunitário, com inúmeras pilhagens contra civis, muçulmanos ou cristãos, que fogem das cidades para encontrar refúgio no interior. Este conflito atinge também uma dimensão internacional, de tal forma que o Conselho de Segurança das Nações Unidas, no dia 05 de dezembro de 2013, através da resolução 2127, autorizou o « prolongamento da Missão Internacional de apoio à Centro África com gerenciamento africano (MISCA) por um período de 12 meses », com a finalidade de acabar com a «falência total da ordem pública, a ausência do estado de direito e as tensões interconfessionais.  »
Os bispos da República Centro Africana insistem sobre o fato de que a resolução da crise somente se fará com a participação dos cidadãos e os convidam a assumir sua parte de responsabilidade nesta crise que mergulhou o país no caos e que colocou uns contra os outros. Para eles, «os jogos políticos e a defesa de interesses egoístas e particulares esvaziaram a sociedade dos valores humanistas e do respeito pela pessoa, criada à imagem e semelhança de Deus. (…) Matar tornou-se um ato banal e sem gravidade». Mais do que uma luta política, os bispos centro africanos afirmam que « a verdadeira batalha é a do desenvolvimento, da revitalização econômica e da luta contra a pobreza, a miséria e a impunidade ». Concretamente os bispos propõem vários caminhos como: a reconstrução do aparelho de segurança através do reestabelecimento urgente de um exército republicano, formado e equipado para assegurar a segurança do território nacional e de todos os Centro africanos e Centro africanas ; a redução do período de transição e a organização de eleições ; o estabelecimento de uma comissão de enquete internacional independente  para investigar as violações dos direitos humanos na Centro África ; o envolvimento urgente dos soldados casques bleus, visto a complexidade da operação no território ; um desarmamento sem exceção dos ex-seleka, dos anti-balaka e de toda pessoa que tenha uma arma ; o estabelecimento do processo de desmobilização, desarmamento e repatriamento dos mercenários tchado-soudaneses e a reinserção dos combatentes centroafricanos ; a promoção do diálogo entre os fiéis das diferentes religiões que ali coabitam ; a indenização das vítimas da rebelião ; a luta contra o sistema de exclusão social baseado no pertencimento étnico, religioso e regional ; o estabelecimento de uma relação saudável com os países vizinhos, especialmente com o Tchad (http://justice-paix.cef.fr/IMG/pdf/Reconstruisons_ensemble_notre_pays_dans_la_paix.pdf). 
Para que a paz volte a este país, rezemos ao Senhor:
Ó Deus da Paz, teu filho Jesus Cristo, pela sua morte e Ressurreição, destruiu o muro de ódio entre os povos. Nós te pedimos por nossas irmãs e irmãos da República Centro África; que eles possam realizar o desarmamento das mãos, do coração e do espírito; que eles possam recuperar a confiança, a tolerância e o perdão; que eles possam enfim renovar sua esperança em Ti e no homem. Que eles vivam assim a cultura da verdade, da justiça e da paz que Jesus nos legou. Amém.
Com toda minha amizade,
Dom Irineu Rezende Guimarães
Monge beneditino da Abadia de Notre-Dame, Tournay, França
Tournay, 18 de abril de 2014.



ABRIL 2014 : A PAZ E AS FAMILIAS
A todos vós que procurais a paz:
Paz!

O Papa Francisco convocou para o mês de outubro deste ano a Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Cardeais, para discutir sobre o tema « Os desafios pastorais  da família no contexto da evangelização ». Dia 02 de fevereiro ele escreveu uma carta a todas as famílias convidando-as a participar ativamente na preparação deste encontro, através de sugestões e, sobretudo, através da oração.
Para nós é uma oportunidade de orar e refletir sobre a contribuição das famílias para a paz sobre a terra. O Papa João-Paulo II consagrou a mensagem do Dia Mundial da Paz de 1994 sobre este tema: « Da família nasce a paz da família humana ».  Nesta oportunidade João Paulo II reflete sobre a família como uma comunidade de vida e de amor: « As virtudes familiares, fundadas sobre o profundo respeito para com a vida e a dignidade do ser humano, e traduzidas em compreensão, paciência, a sustentação e perdão mútuos, dão para a comunidade da família a possibilidade de viver a experiência primeira e essencial da paz » (n° 2). No entanto, ele constata que muitas vezes a família é uma vítima da ausência da paz e que « contrariando a sua vocação primeira de espaço da paz, infelizmente a família se revela, em inúmeros casos, como um lugar de tensões e de violência, ou então, como vítima desarmada de várias formas de violência que caracterizam a sociedade atual » (n° 3-4) Nossa própria experiência nos mostra quantos lares são destruídos por disputas e conflitos, seja entre pais e filhos, seja entre irmãos, e na maior parte das vezes por motivos mesquinhos. Apesar de todos estes limites, podemos considerar a família como uma protagonista da paz:  «Para que as condições da paz sejam duráveis, é necessário que existam instituições que exprimam e que reafirmem os valores da paz. A instituição que corresponde da maneira mais imediata à natureza do ser humano é a família. Somente ela pode assegurar a continuidade e o futuro da sociedade. “Assim, a família é chamada a se tornar protagonista ativa da paz, graças aos valores que ela exprime e que ela transmite no interior do lar, e graças à participação de cada um dos seus membros na vida em sociedade» (n° 5). Para realizar esta missão é preciso, sobretudo, vencer o desafio da pobreza:  «A indigência sempre é uma ameaça para a estabilidade social, para o desenvolvimento econômico e, assim, finalmente, para a paz.  A paz ficará em perigo enquanto pessoas e famílias se verão obrigadas a lutar pela sobrevivência »  (n°5). Por fim, João Paulo II compreende a missão da família como um serviço para a paz. Assim ele recomenda e sugere a cada família: «Procure esta paz, ore por esta paz, trabalhe por esta paz! » (n° 6). Os pais são chamados a serem educadores da paz; as crianças, a se preparar para o futuro, almejando o bem e cultivando pensamentos de paz ; os avós, a comunicar sua experiência e seu testemunho para religar o passado e o futuro em um presente de paz. Para os que não têm família, a Igreja é encarregada de cumprir esta responsabilidade sendo a grande casa das crianças de Deus (n°6).
Para que as famílias do mundo inteiro possam viver esta vocação de artesãos da paz, oremos ao Senhor:
Ó Deus, Pai de toda humanidade, tu desejas que todos os homens e todas as mulheres possam viver como irmãos e irmãs sobre a terra. Abençoa cada família humana e dá-lhes a graça de viver em paz e de ser uma fonte de paz para o mundo. Amém.
Com toda minha amizade,
                                               Irmão Irineu rezende Guimarães

                                   Monge beneditino da Abadia de Notre-Dame, Tournay, França


MARçO 2014 : A PAZ E A PARTICIPAçAO DAS MULHERES


A todos vocês que procuram a paz :
Paz !

A ONU proclamou o dia 8 de março como o « Dia Internacional das Mulheres » para suscitar uma tomada de ação à propósito do papel das mulheres na sociedade atual. Nesta ocasião eu vou convidá-los a refletir e rezar sobre a contribuição das mulheres para a paz no mundo. Se elas muitas vezes são vítimas da guerra e dos conflitos, elas também são construtoras importantes da reconciliação.
Se muitos processos e diálogos pela paz nao se efetivam é porque não se dá espaço suficiente para as mulheres. O médico palestino Izzedin Abuelaish, que perdeu três filhas num bombardeamente em Gaza, e fundou « Filhas pela vida », afirma : « Nós devemos aceitar a idéia de que as mulheres podem contribuir muito nas mudanças a serem realizadas. (...) Quando os valores femininos serão levados em consideração em todos os níveis da sociedade, os valores desta sociedade vão mudar e a vida será mais fácil ».
Para se assegurar a participação das mulheres nas negociações de paz o Conselho de Segurança da ONU, na sua sessão numero 4213, no dia 31 de outubro de 2000, aprovou  Resolução 1325. Este documento propõe que a ONU e seus Estados Membros possam se empenhar para dar às mulheres um lugar importante na prevenção dos conflitos, nas negociações de paz, assim como na reconstrução das sociedades destruídas pela guerra. Três palavras podem resumir esta resolução: prevenção, proteção e participação.
A Resolução insiste que as nações façam esforços para que as mulheres sejam melhor representadas em todos os níveis das tomadas de decisão – nacional, regional ou internacional – para prevenção, gestão e normatização dos conflitos. Que elas estejam mais presentes na qualidade de observadoras militares, de membros da policia civil, de especialistas dos direitos do homem e como membros de operações humanitárias. O documento propõe igualmente uma conduta que se preocupe com a imparcialidade entre os sexos por ocasião da negociação e da execução dos acordos de paz. Ele exige também que todas as partes envolvidas em um conflito armado respeitem plenamente as normas do direito internacional em relação às mulheres e às meninas, protegendo-as contra os atos de violência, em particular o estupro e outras formas de agressão sexual. Este documento propõe a introdução da perspectiva de gênero no processo de paz : temos que repensar a relação homem e mulher numa perspectiva de parceiros pela paz, o que exige uma nova compreensão da identidade masculina, menos guerreira e mais conciliadora.
A fim de que estas resoluções sejam colocadas em prática por todos os países do mundo, rezemos ao Senhor :
Ó Deus da paz, tu criaste o homem e a mulher à tua imagem e semelhança para que eles sejam um só. Abençoa todas as inciativas de colaboração entre homens e mulheres pela paz do mundo. Inspira todas as mulheres que se consagram à reconciliação e à resolução dos conflitos. Ilumine todos os chefes de nações para que eles possam dar às mulheres mais espaço nas negociações e nos processos de paz. E toda terra reconciliada, como uma grande familia, bendirá teu nome para todo sempre. Amém.
Com toda minha amizade,
Dom Irineu Rezende Guimarães
monge benditino da Abadia de Notre-Dame, Tournay, França

Tournay, 25 de fevereiro de 2014.




FEVEREIRO 2014 : A PAZ E OS IMIGRANTES 

À todos vós que procurais a paz :
Paz !
embarcation réfugiés migrants turquie morts enfants mer rocher bateau pêcheur

No dia 19 de janeiro de 2014 celebramos o Centésimo Dia Mundial do Imigrante e do Refugiado, com o objetivo de sensibilizar a consciência cristã e humanitária para que tomem uma atitude em relação a estes homens e mulheres obrigados a deixar suas terras, na procura de uma vida mais digna. E, no entanto, mesmo com toda esta mobilização, o drama destas pessoas não parece chegar ao fim.
 O maior símbolo desta tragédia é uma pequena ilha italiana - a Ilha de Lampedusa – de 20,2 Km quadrados de superfície e em torno de 5 mil habitantes. Estando localizada a meio caminho entre a Europa e a África, a ilha se tornou uma porta de entrada para aqueles que desejam ir para Europa de modo irregular. Dezenas de milhares de pessoas chegam ali sem a documentação necessária, através de navios chamados de “navios da esperança”, pagando muito caro por isso. Sem nenhuma segurança os imigrantes viajam amontoados como sardinhas em lata. As estimativas falam que mais de 20 mil pessoas já perderam a vida fazendo esta travessia. O caso mais recente é o do dia 03 de outubro de 2013, quando um navio que transportava 500 imigrantes pegou fogo e virou, matando 350 pessoas.
A questão não é nada simples: todos estes imigrantes devem ser acolhidos na Europa? Eles devem ser reenviados aos seus países? Devemos deixá-los morrer? Em 2007 dois capitães de barcos de pesca italianos foram levados à justiça por terem socorrido os « navios da esperança », e foram acusados de terem ajudado os imigrantes ilegais a entrar no território. No dia 08 de julho de 2013 o Papa Francisco foi para esta ilha manifestar a sua solidariedade para com todas as vitimas, assim como manifestar sua solidariedade para com a comunidade de Lampedusa que pratica incansavelmente a caridade para os mais necessitados. Nesta ocasião ele nos lembrou da nossa responsabilidade humanitária nesta situação: «Muitos de nós, e eu me incluo neste grupo, estamos desorientados, nós não prestamos mais atenção ao mundo no qual vivemos, nós não nos ocupamos mais do outro, nós não cuidamos do que Deus criou para nós e não somos mais capazes de cuidarmos uns dos outros. E quando esta desorientação assume dimensões mundiais, chegamos a tragédias como esta a que assistimos». Na sua mensagem pela passagem do Dia do Imigrante e do Refugiado, publicada em 05 de agosto de 2013, ele nos convida a « passar de uma atitude de defesa e de medo, de desinteresse e de marginalização – que no final das contas corresponde à « cultura da exclusão » - para uma atitude que tenha como base a « cultura do encontro », a única capaz de construir um mundo mais justo e fraterno, um mundo melhor ».
A paz mundial vai depender em grande parte da solução e da resposta que nós daremos à situação dos imigrantes e dos refugiados. Ou a paz vem para todos, ou a paz não virá para ninguém: precisamos estabelecer uma ordem cosmopolita na qual o mundo se transformará numa casa de todos e que todos sejam bem acolhidos em toda parte.
Com as palavras do Papa Francisco em Lampedusa, assumamos nossa parte de responsabilidade nesta questão :
Senhor, nós pedimos perdão pela indiferença em relação a muitos irmãos e irmãs; Pai, nós te pedimos perdão por aquele que se acomodou e se fechou no seu próprio bem-estar que leva à insensibilidade do coração, nós te pedimos perdão por aqueles que através de suas decisões ao nível mundial criaram situações que conduzem a esses dramas. Perdão Senhor! Senhor, que ouçamos hoje também as questões: « Adão, onde tu estás? », « Onde está o sangue do teu irmão? ». Amem.
Com toda minha amizade,
Dom Irineu Rezende Guimarães,
monge beneditino da Abadia Notre-Dame, Tournay, França.

                                                                                                          
JANEIRO 2014 : A FRATERNIDADE, FUNDAMENTO E CAMINHO PARA A PAZ

À todos vós que procurais a paz :
Paz !

O Papa Francisco escolheu como tema para este dia 1 de janeiro de 2014 a Jornada Mundial da Paz: « A fraternidade, fundamento e caminho para a paz ». A meditação desta mensagem poderá muito bem orientar a nossa prece pela paz neste primeiro dia do ano novo.
O ponto de partida desta reflexão do papa é a existência, em cada um de nós, de uma «sede incontornável de fraternidade, que leva à comunhão com os outros, na qual nós não encontramos inimigos ou concorrentes, mas irmãos que nos acolhem e abraçam.» No entanto esta vocação é negada por uma «globalização da indiferença, que nos faz aos poucos nos habituarmos com o sofrimento do outro, nos fechando em nós mesmos », num mundo em que falta a referencia a um Pai comum, fundamento último da fraternidade entre os homens (n° 1). Se Caim simboliza a recusa da responsabilidade pelos nossos irmãos (n° 2), Cristo, no seu abandono à morte pelo amor ao Pai, reconcilia em si mesmo todos os homens (n° 3). A paz é compreendida como um movimento de solidariedade para com todos, especialmente os mais pobres, amados « como a imagem viva de Deus o Pai, resgatado pelo sangue do Cristo e objeto de ação constante do Espírito Santo » (n° 4).  Assim a fraternidade se apresenta como um caminho para vencer a pobreza, seja « pela redescoberta e pela valorização das relações fraternas no seio das famílias e das comunidades », seja através de políticas eficazes « que assegurem à todos sua dignidade e seus direitos fundamentais », seja ainda através de « estilos de vida sóbrios e baseados sobre o essencial » (n° 5). A grave crise financeira e econômica contemporânea pode também ser uma oportunidade para encontrarmos um modelo de economia mais fraternal (n° 6). Da mesma maneira, a fraternidade se apresenta como uma alternativa para resolver os conflitos humanos, na medida em que redescobrirmos como um irmão aquele que hoje consideramos como um inimigo a ser eliminado: o que exige um esforço firme « em favor da não proliferação das armas e do desarmamento da parte de todos, começando pelo desarmamento nuclear e químico », assim como, com uma conversão dos corações (n° 7). Um autêntico espírito de fraternidade pode impedir múltiplas formas de corrupção, como o tráfico ilícito de dinheiro, de drogas, de pessoas e órgãos humanos, etc. (n° 8). Enfim, uma ética de fraternidade se estende também à natureza, na utilização racional dos recursos em benefício de todos, de maneira que todos sejam libertos da fome (n° 9). « O realismo necessário da política e da economia não pode se reduzir à uma técnica privada de ideal, que ignora a dimensão transcendental do homem » : é somente na abertura à Ele, que ama cada homem e cada mulher, que a política e a economia poderão ser um instrumento eficaz de desenvolvimento humano integral e de paz (n° 10).
Para que as palavras do Papa Francisco sejam acolhidas por todos, rezemos assim, usando as suas palavras:
 Ó Deus da Paz, « o Cristo veio ao mundo para nos trazer a graça divina, que dizer,  possibilidade de participar de sua vida. (…) Esta boa nova reclama de cada de nós um passo a mais, um exercício persistente de empatia, de escuta do sofrimento e da esperança do outro, incluindo o sofrimento daquele que está mais longe de mim, engajando-nos no caminho exigente do amor que sabe se doar e se dedicar gratuitamente pelo bem de todo irmão e toda irmã. Que Maria, Mãe de Jesus, nos ajude a compreender e a viver todos os dias a fraternidade que surge do coração do seu Filho, para trazer a paz à todo homem sobre nossa terra bem-amada ». Amém.
Com os votos de um ano novo abençoado!
Dom Irineu Rezende Guimarães

monge beneditino, Abadia Notre-Dame, Tournay, França
Tournay, 30 de dezembro de 2013.

Aucun commentaire:

Enregistrer un commentaire